FIFA aposta em inteligência artificial, sensores na bola e avatares digitais dos jogadores para reduzir erros de arbitragem e tornar as decisões mais rápidas e precisas.
A Copa do Mundo de 2026 não será apenas a maior da história em número de seleções participantes. O torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México também servirá como palco para algumas das tecnologias mais avançadas já utilizadas no futebol profissional.
Depois da introdução do árbitro de vídeo (VAR) e da tecnologia de impedimento semiautomático, a FIFA elevou o nível da inovação ao incorporar câmeras inteligentes, sensores embarcados na bola e até escaneamento corporal tridimensional dos atletas. O objetivo é simples: reduzir ao máximo os erros humanos em lances decisivos.
Impedimento monitorado por dezenas de câmeras
Uma das principais evoluções para o Mundial de 2026 está no sistema de impedimento semiautomático (SAOT, na sigla em inglês).
A tecnologia utiliza 16 câmeras de alta resolução instaladas nos estádios para monitorar continuamente a posição dos jogadores e da bola. O sistema acompanha até 29 pontos corporais de cada atleta, incluindo pernas, pés, tronco e cabeça, gerando uma reconstrução digital extremamente precisa da jogada.
Os dados são processados em tempo real por algoritmos de inteligência artificial, que conseguem identificar possíveis impedimentos em poucos segundos e enviar alertas automáticos para a equipe de arbitragem.
Bola inteligente envia dados 500 vezes por segundo
Além das câmeras, a bola oficial da Copa conta com sensores internos capazes de transmitir informações em tempo real.
O chip instalado no interior da bola registra movimento, velocidade e o exato momento do toque dos jogadores até 500 vezes por segundo. Isso permite identificar com precisão o instante em que um passe foi realizado, fator fundamental para determinar situações de impedimento extremamente apertadas.
Na prática, a tecnologia elimina dúvidas sobre qual quadro de vídeo deve ser utilizado para a análise, um dos pontos mais criticados do VAR nos últimos anos.
Jogadores ganharam versões digitais em 3D
A grande novidade da Copa de 2026 é a criação de “gêmeos digitais” dos atletas.
Antes do torneio, todos os jogadores passaram por um processo de escaneamento corporal em 3D. O procedimento utiliza dezenas de câmeras para capturar medidas exatas do corpo, incluindo altura, proporções dos membros, formato dos pés e outras características físicas.
Esses dados são utilizados para criar avatares digitais extremamente precisos, com margem de erro entre um e dois milímetros. Os modelos substituem os tradicionais bonecos genéricos usados pelo VAR e permitem análises muito mais detalhadas em lances de impedimento.
Segundo a FIFA, a tecnologia é especialmente útil em situações conhecidas como “impedimentos de centímetros”, quando partes específicas do corpo determinam a legalidade da jogada.
Arbitragem recebe alertas em tempo real
Outra inovação importante está na comunicação direta com os árbitros.
O sistema avançado de impedimento pode enviar notificações automáticas para a equipe de arbitragem sempre que identificar uma posição irregular clara. Em vez de aguardar longas revisões, os oficiais recebem a informação instantaneamente, acelerando a tomada de decisão em campo.
Apesar da automação, a palavra final continua sendo dos árbitros humanos, que validam os dados antes da confirmação oficial da decisão.
Tecnologia também melhora a experiência do torcedor
As inovações não beneficiam apenas a arbitragem.
Os avatares tridimensionais serão utilizados nas transmissões para mostrar animações mais realistas dos lances analisados pelo VAR. A intenção é tornar as decisões mais transparentes e compreensíveis para o público, reduzindo a sensação de subjetividade em jogadas polêmicas.
Além disso, algumas partidas contarão com imagens captadas por câmeras corporais instaladas nos árbitros, oferecendo ao torcedor uma visão inédita da partida sob a perspectiva de quem está dentro do gramado.
O futebol entra definitivamente na era dos dados
A Copa do Mundo de 2026 representa um novo capítulo na relação entre esporte e tecnologia.
Com sensores inteligentes, inteligência artificial, escaneamento corporal e monitoramento tridimensional em tempo real, a FIFA busca tornar as decisões mais rápidas, precisas e transparentes. Embora o debate sobre a influência da tecnologia no futebol continue dividindo opiniões, uma coisa parece certa: os erros de arbitragem terão cada vez menos espaço no maior evento esportivo do planeta.




